O plantio de culturas produtoras de grãos, como soja, milho, feijão, arroz e trigo, entre outras, exige práticas de manejo que as favoreçam expressar adequadamente o seu potencial produtivo. É nesse cenário que destaca-se a correção da acidez do solo, visando dar condições para o adequado desenvolvimento do sistema radicular, maior aproveitamento de água e nutrientes, fornecendo os nutrientes cálcio e magnésio, o que permitirá maior retorno econômico à agricultura.

O principal critério para se definir a dose de calcário é o da saturação por bases, que considera parâmetros físico-químicos do solo, da cultura, e do calcário. Utilizar a seguinte expressão:

Em que:
NC = necessidade de calagem, em t ha-1
V1 = Saturação por bases do solo na camada de 0-20 cm
V1 = Saturação por bases desejada, de 70% para milho,60% para soja e feijão, e 50% para arroz e trigo.
CTC = Capacidade de troca de cátions na camada de 0-20 cm, em mmolc dm-3
PRNT = Poder Relativo de Neutralização Total do corretivo, em %

Em solos mais arenosos, com CTC < 35 mmolc dm-3 e baixos teores de Ca + Mg (< 30 mmolc dm-3), de acordo com o critério do V%, pode não haver necessidade de calagem. Nesses casos, deve-se aplicar o corretivo visando elevação dos teores de Ca + Mg para 30 mmolc dm-3, conforma a fórmula abaixo:

Em que:
Ca + Mg = soma dos teores de Ca e de Mg na camada de 0-20, em mmolc dm-3

A aplicação do calcário deve ser realizada à lanço, de forma homogênea, em área total. Atentar para a correta regulagem das máquinas, evitando-se trabalhar com faixas de aplicação muita largas,
principalmente para produtos com granulometria muito fina, que terão alta deriva. Sugere-se o aumento da dose de aplicação nesses casos.

A incorporação do produto é primordial para o sucesso, já que o objetivo é o aprofundamento das raízes, que permitirão o desenvolvimento das plantas com maior capacidade de absorção de água e nutrientes, tornando-as mais resistentes aos déficits hídricos.

Em áreas sob plantio direto, recomenda-se a amostragem de solo a 0–20 cm para a definição da dose a ser distribuída sobre a superfície do solo, em única aplicação, ou de forma parcelada durante até 3 anos. Porém o monitoramento da acidez na camada superficial do solo deverá ser realizado para auxiliar a avaliação da frequência da aplicação de calcário na superfície, que somente deve ser recomendada para solo com pHCaCl2 < 5,6 ou saturação por bases < 65% na profundidade de 0–5 cm. E quando essas condições ocorrerem, o corretivo deve ser incorporado.

Os corretivos da acidez de solo são de baixa solubilidade, e necessitam de tempo para que tenham completa ação na elevação do pH. Por isso é desejável que seja aplicado com antecedência de pelo menos dois meses antes do plantio, para que sua eficiência seja completa. E a utilização de produtos com maior efeito residual terão grande importância para a maior durabilidade da eficiência da prática.

E não esquecer de manter o teor de Mg do solo acima de 8 mmolc dm-3, utilizando produtos com maior concentração do nutriente. Dessa maneira, as plantas responderão com melhor desenvolvimento do sistema radicular, tornando-se mais resistentes, mais eficientes no transporte de carboidratos e açúcares para os grãos, contribuindo para o aumento da produtividade, qualidade, e rentabilidade.

 

Dr. Fabio Vale –Adubai Consultoria

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