O magnésio (Mg) é um macronutriente, isto é, exigido em grandes quantidades pelas culturas para que as máximas produtividades econômicas sejam obtidas. As culturas em geral apresentam alta necessidade de Mg. Porém algumas espécies de plantas são mais exigentes que outras; leguminosas forrageiras e gramíneas, algodão, soja, milho, batata, tomate, citros, cana-de-açúcar e café precisam de grande quantidade de Mg. Sabe-se que em culturas perenes, como café e citros, a deficiência do nutriente pode atingir mais de 65% das áreas em produção.

Um dos sintomas típicos da deficiência de Mg é o amarelecimento das folhas velhas, na forma de clorose internerval. No entanto, a expressão dos sintomas de deficiência é altamente dependente da intensidade de luz. Plantas que se desenvolvem sob condições de alta intensidade luminosa parecem ter maior exigência em Mg do que as plantas cultivadas sob menor intensidade de luz. Portanto, nas condições climáticas em que a maioria dos cultivos é realizado em nosso País, a deficiência de Mg tende a ser ainda mais marcante.

O nutriente tem sido conhecido por seu papel essencial na formação da clorofila e na fotossíntese. No entanto, crescente evidência mostra que os órgãos drenos (tais como raízes em crescimento e sementes em desenvolvimento) também são severamente afetados pela deficiência de Mg. Estudos realizados mostram que há grande acúmulo carboidratos e inibição de transporte de sacarose das folhas para o floema em plantas deficientes em Mg.

Elas acumulam até 4 vezes mais sacarose, comparadas às folhas com teor adequado de Mg, indicando inibição severa no transporte de sacarose para regiões de acúmulo, como por exemplo, os colmos de cana-de-açúcar. Isto é indicativo de que, plantas com níveis adequados do nutriente podem apresentar maior produtividade de açúcar.

No caso do desenvolvimento do sistema radicular, pesquisas recentes realizadas com feijão e trigo mostraram que a deficiência de Mg acentua a inibição do crescimento das raízes, antes de qualquer mudança visível no crescimento da parte aérea e na concentração de clorofila. Este efeito é um problema crítico para os produtores, por causa da importância de um bom sistema radicular para a absorção de água e nutrientes e, por consequência, para a resistência aos períodos de stress hídrico. Por isso, atenção especial deve ser dada ao estado nutricional das plantas em relação ao Mg antes do desenvolvimento de qualquer sintoma visível de deficiência.

Dessa maneira, todos estudos indicam a importância de se manter a nutrição adequada das plantas com Mg, desde o estádio inicial de crescimento, e mantendo o nutriente disponível durante todo o ciclo da cultura.

Importante lembrar dos fatores que favorecem a deficiência desse nutriente: plantio de culturas com alta exigência em solos com textura mais arenosa, utilização de altas doses de potássio nas adubações, aplicações de corretivos de solo com alta concentração de cálcio e baixa de Mg, como os calcários com baixos teores de MgO, ou mesmo isentos do nutriente, como o gesso agrícola.

Apesar de seu papel vital ser cada vez mais reconhecido na nutrição das plantas, há muito tempo o Mg tem sido um elemento esquecido nas recomendações de correção do solo e adubação das culturas. Por isso é primordial utilizar-se das análises de solo e de folha, para identificar o estado nutricional do nutriente, e programar a sua reposição de modo adequado quando a necessidade for detectada, utilizando-se de corretivos de solo com maiores concentrações de MgO, além da aplicação de fertilizantes contendo o nutriente, e também incluir o mesmo nos programas de adubações foliares.

 

Dr. Fabio Vale – Adubai Consultoria

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